Para as empresas que recrutam gerentes ou profissionais no chamado "middle management", o cenário esteve bastante aquecido em 2006. Em média, houve um crescimento de 40% no volume de vagas em relação ao ano passado e as perspectivas são bastante positivas para 2007. A Michael Page espera fechar dezembro com um total de 1,5 mil posições, 500 a mais que em 2005. "Percebemos uma maturidade do mercado brasileiro, diferente do que existia em 2002, quando alguns projetos foram engavetados", afirma Patrick Hollard, presidente da consultoria para a América Latina.
Entre as áreas mais promissoras, segundo o executivo, destacam-se a de logística e óleo e gás. Esta última impulsionada pelo boom de contratações das empresas instaladas no Rio de Janeiro. "Faltam profissionais qualificados para preencher as vagas em aberto", afirma. "O aquecimento do setor de óleo e gás é tanto que para o mesmo cargo há empresas pagando até 40% a mais que seus concorrentes".
Outro setor que alavancou as contratações nos últimos meses foi o financeiro. E não só os bancos reforçaram seus quadros. As empresas também ampliaram as equipes de controladoria e contabilidade, em decorrência a nova onda de abertura capital. Além da função de RI (relação com investidores) ter ganhado maior espaço nas companhias. "A Sarbanes-Oxley provocou uma corrida por maior transparência e exige profissionais com alta qualificação", avalia Luiz Valente, diretor da Hays no Brasil. "Também há promessas de investimentos estrangeiros no país, o que deve aumentar a procura por profissionais da área financeira em 15%".
Hollard, da Michael Page, atenta ainda para a busca de profissionais com perfil global pelas empresas brasileiras com operações internacionais. "Nos tornamos um celeiro de exportação de executivos da área financeira e de outras áreas também". Segundo Paulo Pontes, diretor executivo da Michael Page, parte dessa euforia do mercado de recrutamento deve-se ao aumento da procura pelas companhias especializadas na seleção de executivos. "Antes, esse processo ficava na mão do RH".
Em São Paulo, a demanda divide-se entre profissionais de tecnologia da informação, responsável por 40% das vagas, e recursos humanos, com 30%. "No caso do RH, há uma procura significativa por business partners, profissionais de recursos humanos que ficam alocados em diversas unidade de negócios da companhia", diz Pontes.
A Case Consulting também prevê aquecimento de mercados como RH, óleo e gás, TI e finanças. "Este foi um ano muito bom para nós, com 600 posições contra 400 do ano passado", revela Ricardo Bevilacqua, diretor-geral da consultoria. A maior parte das vagas foi direcionada para executivos de média gerência com remuneração a partir de R$ 6 mil. "A boa notícia é que se ano passado 70% dos processos foram para substituir profissionais, em 2006 cerca de 55% foram novas vagas".
Tecnologia da Informação, de acordo com Bevilacqua, se manterá no topo das melhores oportunidades para 2007. "A demanda por profissionais especializados em TI, e com inglês fluente, é crescente, mas falta gente com esse perfil", aponta. "A briga por esses talentos é imensa, a tal ponto que quando alguém é roubado, chega a ganhar 70% a mais do que na antiga empresa". Mas os salários inflacionados não se restringem apenas a quem atua nos mercados financeiro, de TI e de óleo e gás. O executivo explica que, normalmente, quando o profissional troca de emprego, vai ganhar entre 15% e 25% acima do que recebia. Agora, com o aquecimento do mercado, saem com uma remuneração entre 30% e 40% maior.
Fonte: Revista Mundo PM
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